<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2493693548223932829</id><updated>2011-11-21T18:33:46.880-08:00</updated><title type='text'>Universo em Prosa e Verso</title><subtitle type='html'>Nada que precise ser dito</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2493693548223932829/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>barzotto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2493693548223932829.post-297228223904960796</id><published>2009-06-01T19:41:00.000-07:00</published><updated>2009-06-01T19:44:22.188-07:00</updated><title type='text'>Pretérito imperfeito em quase prosa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;Eis que pela porta da Tabacaria passa pela primeira vez Maria. Da mãe de Cristo, só ocupavam o primeiro nome. E isto pouco eu sabia, até a madrugada do outro dia, quando com rimas ela eu acordaria. E, tudo o que por ela achei que sentia, acabou em prosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Versos ela não curtia. Nem tampouco a ela palavra faltaria. Meu problema é que prosa me faltava, de noite ou de dia. E quando ao lado dela eu dormia, pensando em como fazer pra tornar simples a diabaria, prosa me faltava para convencer Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que poeta eu não era, mas que falta eu sentia. Então em uma noite fugaz, quando no meu quarto reinava a calmaria, confessei que não mais vivia, sem nas madrugas que viravam dia, cantar para ela, Maria, que em meu peito desfalecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em uma semana ou duas passaria, minha vontade de ver Maria entrar e sair da Tabacaria. E de noitinha, sozinho no quarto eu leria Fernando Pessoa e acreditaria na possibilidade de, no dia seguinte, ela não passar pela rua afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passa, e por jocosas ironias, descobri que da vida mulher era, a dita Maria. Perdi as contas, perdi tudo e, dos amigos, só ouvia “judiaria”. E que o pobre homem desistira da vida e se entregara para as cotias. Então, se mesmo homem fosse, uma decisão eu tomaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabaria de vez com uma das duas: eu mesma, ou Maria. Foi que a noite se foi e chegou o dito dia. Onde uma das duas em seu leito de morte acabaria. Pois que a aventura picardia iria terminar com uma destas duas partes de alegria: o fim dos versos pra Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem francesa, nem vadia. Nem princesa, nem história. Convidaria a moça para ao teatro ir, mas antes passávamos pela confeiraria.  E ao chegarmos no destino, enquanto tocava a sinfonia, eu decidiria com quem acabar: eu ou Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada importava, agora em quase prosa, o que a sociedade pensaria. Em meio a um solo de violino, ofereci um cigarro e Maria me disse que jamais fumaria. E percebi o porquê, todos os dias, Maria, que nada da mãe de Cristo tinha, entrava na Tabacaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por em prosa acreditar, que no mais imperfeitos do pretérito, nossa história acabaria com um corte na virilha, daquela que meu coração feria. E pela primeira vez que no presente pensei, percebi que o sangue de Maria escorre pela minha mão macia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2493693548223932829-297228223904960796?l=universoemprosaeverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/feeds/297228223904960796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/2009/06/preterito-imperfeito-em-quase-prosa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2493693548223932829/posts/default/297228223904960796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2493693548223932829/posts/default/297228223904960796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/2009/06/preterito-imperfeito-em-quase-prosa.html' title='Pretérito imperfeito em quase prosa'/><author><name>barzotto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2493693548223932829.post-7463094405181963613</id><published>2009-05-29T15:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T15:45:38.244-07:00</updated><title type='text'>Vogel, o Passarinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;As vezes, vagando pelo Sudoeste, a gente encontra surpresas interessantes. Um nome escapa da boca de um entrevistado que chama atenção. E então você sente cheiro de informação no ar e vai atrás. E aquilo que antes era apenas um nome escapando da boca de alguém, transforma-se e transfigura-se na sua frente como uma conversa maravilhosa em um sofá com capa cor-de-rosa.&lt;br /&gt;Descendo poucos metros na primeira rua de São João, do lado esquerdo, está a Borracharia do Passarinho. A borracharia apenas leva o nome de quem mora na parte de cima: Waldemar G. Vogel, ou, simplesmente o Passarinho. Na primeira tentativa, ele não está em casa e atende a porta uma garota que também me foge o nome. Disse que Vogel não estava. Mas que coisa chamar o Passarinho de Vogel. O apelido é tão mais simpático. Mas, e se for a mesma coisa? Pois a primeira coisa que o Passarinho me contou — não pude fugir ao dito popular — foi que o apelido surgiu de uma tradução de seu sobrenome. Vogel significa pássaro.&lt;br /&gt;É estranho chamar Passarinho de Waldemar. Acho que ninguém chama ele assim. Mas, vamos lá: fazendo jus ao sobrenome, Waldemar aprendeu a cantar. E gravou CD. E não foi só um. Está no segundo CD, intitulado “Mistura do Passarinho”. E o Passarinho traz, orgulhoso, até a sala de sua casa uma sacola de mercado cheia do segundo álbum. A produção é bastante simples: um envelope de papelão que serve de capa que contém um CD escrito “W. Vogel” com uma canetinha azul. “É mistura porque tem de tudo: música, trova e poesia”, explica o artista.&lt;br /&gt;Eis que chega à porta a companheira. Ilse senta em uma cadeira ao lado do sofá. Fala pouco, mas concorda com tudo o que o marido fala acenando a cabeça para cima e para baixo. O Passarinho, ao contrário da mulher, fala. E como fala. E você não quer que ele pare de contar histórias, de falar do passado. Aliás, o próprio passarinho, que já voa há bastante tempo por estas bandas, se diz um “profundo conhecedor do tempo”. E, de bate pronto, vem a primeira história. Sobre aquecimento global. An?&lt;br /&gt;“Quando eu era rapaz, os antigos me contaram muitas histórias. Quando tinha muito mato, eles diziam que formava um paredão. E não faltava chuva como hoje. Eles explicavam porque chovia num lugar e não em outro. Hoje o tempo é mais quente porque não tem mato. Então, eles contavam que há 100 anos atrás, a seca já existia igualzinho como é hoje. E naquela época era tudo mato. Então, por isso que eu digo que pra esse aquecimento global, nós podemos fazer muito pouco. Mas ainda podemos combater a poluição”, divaga o cantor. Sabe aquela velha história do beija-flor que tenta apagar a fogueira com pingos de água? Pois é.&lt;br /&gt;Vogel (agora que vocês já sabem a tradução, fica fácil) começou a cantar ainda era rapaz. E quando ele está contando uma história, fala pausado, como se sua memória fosse construída com colcheias. Ele lembra que, quando moço, apareceu um trovador na cidade que ele morava, lá no Rio Grande do Sul. E na apresentação do trovador, o Passarinho foi voluntário para desafiar o rapaz na rima. Depois de muito tempo, pra garantir o estudo para os oito filhos, veio para a cidade. E trabalhou durante décadas na borracharia que, hoje, leva apenas seu apelido. “Meus filhos eu ensinei a trabalhar, ser honesto, e estudar”.&lt;br /&gt;E ele próprio foi um exemplo para os filhos. Aos 61 anos, o Passarinho voltou para a sala de aula. E foi no supletivo que tudo começou. Vogel tinha um colega que trabalhava na rádio. Como o Passarinho divertia toda a turma com suas piadas, o colega resolveu dar uma oportunidade, que o Passarinho abraçou com os dois braços, digo... asas. “Ele me disse: ´olha, Passarinho, eu te dou um horário no rádio e você faz o teu programa”, lembra o contador de histórias.&lt;br /&gt;E durante cinco anos, todos os domingos de tarde, o Passarinho abria seu programa “Mandando Alegria”, cantando músicas de sua autoria. O programa terminou há dois anos. E, na época, quando o programa acabou as pessoas pediam ao senhor Vogel para gravar um CD. O primeiro álbum do Passarinho foi gravado no computador mesmo. Uma tiragem simples: 300 cópias. O segundo álbum já foi melhor programado: gravado em estúdio, com capinha e tudo, a tiragem aumentou para 500 cópias.&lt;br /&gt;“Eu canto porque quero levar alegria às pessoas. Para eles ficarem contentes. E para levar um pouco de humor para eles darem risada”. Intenções simples do Passarinho são de deixar muito papagaio por aí de bico fechado.&lt;br /&gt;Aposentado e com um CD na mão, o Passarinho começou a voar pelo Sudoeste pra divulgar seu trabalho. Diz que, em Pato Branco, só uma rádio tocou o seu CD. A outra, segundo ele, nem abriu as portas. “Ganhar dinheiro, eu não ganhei. Mas deu pra pagar as despesas”, afirma. E a única coisa que o Passarinho pede pra esclarecer na matéria é: “Coloca aí que eu fiquei rico com o CD. Mas não é verdade. Nós vivemos de uma aposentadoria. O CD é só pra levar alegria para os outros”, explica. Pronto, Passarinho, ta colocado.&lt;br /&gt;O sonho dele é aparecer na televisão. Ou melhor: cantar na televisão. Acho que dá para ser mais específico: levar alegria para as pessoas através da televisão. E Passarinho acredita que a 50ª Festa do Padroeiro São João Batista, que acontece em São João em junho, é uma ótima oportunidade para vender os CD que sobraram na sacola. E, quem sabe, até aparecer na televisão. E, pela primeira vez em horas de conversa, o Passarinho abre o bico pra cantar um trecho de sua música sobre a queima da fogueira, principal atração da festa do padroeiro no município. Com a voz fininha, sem violão, sem nada, ele entoa: “Fogueira, tua fumaça entre meus olhos, não fico zangado não. Tu és fogueira, fogueira de São João”.&lt;br /&gt;E aquele que é acostumado a ouvir versos de Bob Dylan se arrepiou com a simplicidade da rima do Passarinho.&lt;br /&gt;Na hora da foto, ele correu no quarto pegar o chapéu. Queria de pé. Eu disse que era melhor sentado. A esposa Ilse, com quem Passarinho é casado há 50 anos, não queria aparecer. Ele insiste. O primeiro flash e ele já levanta. Não, não. Volta. Senta. Não sabe se sorri. Tira o chapéu. Coloca o chapéu. E, de uma vez por todas, fala “da aqui” e aperta forte a mão da companheira. E assim, da mesma maneira simples com que o nome escapou da boca do dono da pastelaria, dos versos sobre a fogueira, o Waldemar e Ilse apareceram no jornal. Agora, quem sabe não viram matéria na televisão?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2493693548223932829-7463094405181963613?l=universoemprosaeverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/feeds/7463094405181963613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/2009/05/vogel-o-passarinho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2493693548223932829/posts/default/7463094405181963613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2493693548223932829/posts/default/7463094405181963613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/2009/05/vogel-o-passarinho.html' title='Vogel, o Passarinho'/><author><name>barzotto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2493693548223932829.post-7028339588979043526</id><published>2009-05-27T14:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T14:24:56.761-07:00</updated><title type='text'>Um pingo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:85%;"&gt;De dentro de uma núvem negra que passeia pelo céu do Sudoeste, uma gota solitária de água passeia pelo vento. Acompanhada de milhares de outras gotículas, uma gota apenas bate na araucária. Essa gota se divide em mais milhares de pequenas gotas. Uma delas vem em direção ao telhado da república. Alí, ela se junta com outras gotas e forma uma maior, que escorre por um buraco simples das telhas e se acumula no gesso do teto. Uma a uma, em intervalos de tempo que eu ainda não consigo contar, elas descem pelo teto e caem dentro da leiteira azul que eu coloquei no chão para proteger o carpê.&lt;br /&gt;O som seco do pingo d’água batendo no fundo da leiteira me serve de ritmo. Não perturba, nem atrapalha. Na verdade, talvez na hora que eu resolver mesmo dormir, seja um pouco traumático. Por enquanto, é só mais um dos milhares de sons que passam por esta casa.&lt;br /&gt;Lá da sala, os diálogos sem legenda de um filme em espanhol. Da garagem, os grunhidos do cão. Da janela, a chuva lá fora. E do corredor passos de bexiga cheia em direção à porta do banheiro, que se abre e faz outro barulho. De um dos cinco quartos, o violão solitário desafina um Jorge Bem. E da leiteira, o pingo de chuva que não pára.&lt;br /&gt;Eu poderia tranquilamente deixar os pingos no carpê marrom. Fiz a experiência no último dia que choveu. Faz tempo, na verdade. Não sei quanto tempo, porque tem uma espécie de seca por aqui. Enxente no nordeste e seca no sul. Dizem no noticiário que é o aquecimento global. Já cantaram sobres isso alguma vez.&lt;br /&gt;Acontece que se o pingo cai no carpê, fica um cheiro de cachorro molhado. Consequentemente, eu gasto mais de um insenso por dia. E tá caro este palito cheiroso.&lt;br /&gt;Um pingo numa leiteira é um troço bastante solitário. Mais até que, simplesmente, estar sozinho no quarto, embaixo das cobertas, deixando a cinza bater no travesseiro e manchar o lençol. Por isso mesmo decidir gostar da gota. E que pingue pelo teto a noite toda. E se amanhã cedo a leiteira estiver cheia de água do céu, eu serei bem capaz de ferver uma chaleira com essa água para o chimarrão.&lt;br /&gt;Amanhã é segunda-feira. Como lógica, hoje é domingo. E o fato de ser domingo, à noite, e ter uma maldita goteira pingando na leiteira do meu quarto me deixa um pouco consternado. Claro, pois eu acabei de lembrar que pingos d’água me deixam com vontade de ir ao banheiro. Isto porque estou com vontade de ir ao banheiro agora. E algo me passou pela cabeça no seguinte sentido: inconsientemente, esse miserável pingo d’água vai me fazer mijar nas cobertas durante à noite.&lt;br /&gt;Então eu começo a traçar alternativas para o pingo d’água. Uma panela faria mais barulho. Uma almofada, ou camiseta, ou algo que abaf... um pano de prato! Cheguei à conclusão que esta é a melhor alternativa. Pois, se existe alguma coisa para secar pingos d’água nesta casa é um pano de prato.&lt;br /&gt;Imagino que vou até a cozinha, abro a gaveta número dois do armário e descubro que todos os panos de prato foram uzados para secar pratos cheios de outras gotas que saem em conjunto pela torneira. Minhas opções são uma toalha de mesa e um avental de mestre cuca. Desisto.&lt;br /&gt;Volto minha imaginação à tela do computador. E um clarão do lado de fora, na noite escura, chama minha atenção para a cortina blackout.&lt;br /&gt;Do mesmo céu de onde caem as gotas na leiteira, algo maior atingiu a casa ao lado, onde mora Donnie Darko. Uma turbina de avião, inexplicavelmente, atingiu o quarto do menino. Os vizinhos se acumulam nas janelas, cirenes e ambulâncias na rua. Não me dou o trabaho de levantar a cabeça do travesseiro. Imaginariamente, minha visão daqui é perfeita. Da janela do meu quarto, assisto a tragédia. E um homem-coelho passa calmo pelo lado de fora da minha casa. A chuva para, mas a maldita goteira continua. Deve ter água acumulada no gesso do teto.&lt;br /&gt;Como previsto, a goteira me dá vontade de mijar. Tomo coragem e caminho pelo corredor escuro até o banheiro, iluminado por uma luz amarelada que deixa a parede com tons vermelhos. Coincidência ou não, havia também uma goteira no banheiro. E como esta casa é velha, imaginei o estrago que a água pode fazer no gesso, se toda vez que chove acumular água.&lt;br /&gt;Me perco em pensamento e concentro meu raciocínio para fazer com que toda a cerveja que tomei desvie das minhas pedras no rim e caiam, diretamente, no vaso sem pingar na tampa. Escuto um estalo forte. Olho para o alto, puxando para cima a calça de moletom.&lt;br /&gt;E ninguém soube explicar como foi que nunca antes havia caído um pedaço de gesso na cabeça de alguém que mora nessa casa.As goteiras, finalmente, pararam. Agora, ao invés das gotas brancas de chuva do céu, meu sangue pingava no azuleijo marrom. Como uma última ação, rastejei até o quarto, tirei a leiteira azul, e fiquei esperando um último pingo cair sobre minha cara de olhos fechando devagar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2493693548223932829-7028339588979043526?l=universoemprosaeverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/feeds/7028339588979043526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/2009/05/um-pingo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2493693548223932829/posts/default/7028339588979043526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2493693548223932829/posts/default/7028339588979043526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universoemprosaeverso.blogspot.com/2009/05/um-pingo.html' title='Um pingo'/><author><name>barzotto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
